quinta-feira, 21 de maio de 2009

Rofoldo, o guarda-corujas (de Alma Welt)

Rofoldo, o guarda-corujas
(das Crônicas Cônicas de Alma Welt)


Rofoldo( seu nome era Rofoldo mesmo, e não Rodolfo como era de se esperar), era um excelente guarda-corujas. Mas não um guarda-corujas qualquer, mas de 1º grau e sem parachutes. Meticuloso e monótono, seu cotidiano possuía uma poesia ácida e insuspeita, que o fez apaixonar-se desavisadamente (eu sei que parece redundância ) pela cabrita do seu parceiro e fiel atormentador de fins-de- semana: Garvão (com r mesmo), o último atormentador daquele condado desde que o conde morrera sem deixar descendentes. A situação tendia a se radicalizar pois, contra todas as expectativas do povo do “Condado-sem-Conde”, como passou a se chamar aquele vale (ah! não contei que era um vale!) a cabrita não se fez de rogada e correspondeu à paixão de Rofoldo, com suaves balidos.
Infelizmente não foi registrado nos anais do vale, minuciosamente como se deveria, as relações, anais ou não, da ilustre cabrita com o agora célebre guarda-corujas. Mas nós, que nos empenhamos em colher a ponta do fio da meada, descobrimos uma biografia rica de sabores folclóricos e até mesmo educativos. Trata-se de tomar o melhor partido de tudo o que se nos apresente na vida.
Nada mais tenho a dizer.